LCV - Duelo de Titãs
Existem filmes que são tão repletos de mensagens que fica difícil encontrar um foco principal a ser abordado. Esse é o caso de Duelo de Titãs*, protagonizado pelo vencedor do Oscar Danzel Washington, interpretando o treinador de futebol americano Herman Boone. A estória se passa no estado da Virginia, EUA, na década de 70, período em que o ódio e o racismo ditavam as regras de convivência entre brancos e negros nos estados da região sudeste americana. Nesse contexto, o conselho de educação determina a integração de estudantes negros e brancos em uma única escola, o que também significaria um único time de futebol. Boone, que era técnico na Carolina do Sul, é convocado para assumir a direção do time.
Sob protestos, conseguiu identificar os melhores, independentemente da raça, e construiu uma equipe sólida, criativa e vencedora, os Titãs. Desde o primeiro contato com os jogadores, deixou claro quem estava no comando, não se intimidando por ameaças ou tentativas de sabotagem.
Alguns (dos muitos) pontos a destacar:
Identificando Talentos: Boone sabia que contava com um grupo de atletas bastante talentoso. Porém sabia também que o ódio colocava em cheque o futuro da equipe, que já iniciava segregada. Durante a concentração, ele criou situações de pressão buscando não apenas identificar os mais adequados ao time como também integrar jogadores brancos e negros em uma única equipe, focada em resultados. Em pouco tempo as barreiras foram caindo e a vontade de vencer se tornou um elo poderoso que uniu a todos diante de um único objetivo. Os talentos individuais, a atitude diante da mudança e a capacidade de trabalhar em equipe foram os critérios utilizados para selecionar os melhores.
Assim como no filme, encontramos nas empresas profissionais com dificuldade para aceitar e se adaptar a mudanças. Gastam tempo buscando maneiras de preservar sua zona de conforto e tentando enfraquecer o líder, contaminando os demais com idéias conservadoras e acomodadas. As mudanças são ótimas oportunidades para o líder conhecer os profissionais em quem vale à pena investir, que não perdem tempo lamentando e reclamando, mas buscam oportunidades e maneiras criativas para se adaptarem às novas situações.
Desenvolvendo Talentos: O treinador principal e seu assistente possuem visões diferentes com relação à gestão dos jogadores. Enquanto Boone é duro e exigente, seu assistente é extremamente paternalista. Ao longo do filme, ambos aprendem um com o outro que é preciso se estabelecer um meio-termo, onde se tenha firmeza na condução dos treinamentos e durante os jogos, mas sem a necessidade de humilhar os atletas em público.
Nos momentos em que os jovens vacilaram em sua auto-confiança, encontraram um líder para motiva-los e reconhecer seu potencial como atleta e como pessoa. Em alguns casos, esse líder foi o treinador principal, em outros o treinador assistente e em outros um outro jogador mais experiente. Todos se sentiam valorizados, reconhecidos e confiavam em seus líderes e colegas.
Um trecho que vale à pena mencionar refere-se à identificação e desenvolvimento de talentos relacionados à liderança. Gerry, capitão do time, confidenciou a Boone que percebeu que um dos jogadores havia cometido um erro de propósito e por isso o queria fora do time. Esse jogador, que era seu melhor amigo, não aceitava a união com os negros e por isso, não se integrava bem ao grupo. Boone olhou para Gerry e disse: “Você é o capitão. Tire-o se quiser”. Nesse momento o havia colocado à prova, constatando que o jovem realmente possuía talento para liderar. Sabendo do compromisso firmado com o resultado e o trabalho em equipe, “demitiu” o amigo sem vacilar.
Liderando sob pressão: Antes do seu primeiro jogo, Herman Boon foi advertido que seria demitido caso perdesse um único jogo. Isso o deixou atordoado, pois havia acabado de se mudar com a família e não poderia faze-lo novamente. Entretanto, apesar da enorme pressão, não mudou seu modo de agir e cobrar resultados de sua equipe. Continuou liderando com firmeza, estimulo constante, reconhecimento e foco em estratégias guiadas pelos talentos dos membros da equipe.
Formando equipes pró-ativas: O verdadeiro líder estimula a pró-atividade em sua equipe, delegando a todos a responsabilidade pelo sucesso da empresa. Deve haver um compromisso mútuo, onde todos tenham consciência das metas e dos desafios que deverão superar para atingi-la.
Há um momento importante no filme que demonstra que os líderes obtiveram sucesso na criação de uma equipe pró-ativa, quando um grupo de jogadores convoca os demais para uma reunião em um ginásio, pois consideravam o desempenho da equipe insuficiente para vencerem o campeonato. Então, começam a motivar uns aos outros, com cantos e gritos de guerra, culminando na criação de uma coreografia que passaria a ser utilizada como aquecimento em todos os jogos. Era o símbolo da união, da confiança e do comprometimento da equipe.
Diogo Francischini é palestrante, consultor e escritor, especialista em Gestão de Talentos em Vendas. Tem MBA em Marketing e é também professor em cursos de pós-graduação.

